O vício em jogos, especialmente apostas esportivas e cassinos online, tem destruído a vida financeira e emocional de milhares de famílias. Quando a pessoa perde totalmente o controle, se endivida, compromete a renda da casa e não consegue mais administrar a própria vida, a interdição judicial pode ser o caminho mais seguro para proteger o dependente e a família.
Neste artigo, você vai entender como interditar uma pessoa viciada em jogo, de forma simples, direta e sem termos difíceis.

O que é interdição?
A interdição é um processo judicial usado para declarar que uma pessoa não tem capacidade plena para gerir sua vida civil, como assinar contratos, movimentar contas, realizar compras ou tomar decisões financeiras relevantes.
No caso de vício em jogos, a interdição protege o dependente de si mesmo e impede novos prejuízos.
Quando a interdição é indicada?A interdição é recomendada quando a pessoa viciada em jogo:
- Perde quantias altas repetidamente;
- Se endivida ou pega empréstimos para apostar;
- Compromete salário, bens ou patrimônio da família;
- Mente sobre valores gastos ou oculta movimentações;
- Apresenta comportamento compulsivo e descontrole total;
- Não reconhece o problema e rejeita ajuda;
- Já apresenta consequências psicológicas ou psiquiátricas (ansiedade, depressão, impulsividade, ideação suicida etc.).
Se o vício está causando risco financeiro ou emocional grave, a interdição pode ser essencial.
Quem pode pedir a interdição?
Geralmente, quem solicita é algum familiar próximo, como:
- Mãe ou pai;
- Cônjuge ou companheiro;
- Filho(a);
- Irmãos;
Também pode ser solicitada por qualquer pessoa com interesse legítimo ou pelo Ministério Público, em casos extremos.
Como interditar uma pessoa viciada em jogo?
O processo é relativamente simples, mas precisa de um advogado. Veja o passo a passo:
1. Reunir documentos e provas
Para demonstrar o vício e o descontrole, junte:
- Extratos de apostas;
- Prints de sites de jogos;
- Comprovantes de transferências e PIX;
- Conversas que mostrem impulsividade;
- Laudos médicos, psiquiátricos ou psicológicos;
- Provas de endividamento;
- Relatos de familiares.
Quanto mais provas, mais rápido o juiz entende a gravidade.
2. Propor a ação de interdição o advogado vai protocolar o pedido indicando:
- Quem é o dependente;
- Quais comportamentos demonstram o vício;
- Os prejuízos financeiros e emocionais;
- Quem será o curador (geralmente a mãe ou responsável);
- O pedido de liminar, para conceder interdição provisória imediata.
A liminar é importante porque evita que a pessoa continue apostando enquanto o processo corre.
3. Nomeação de um curador
O juiz pode nomear provisoriamente um curador, que será responsável por:
- Controlar o dinheiro do interditado;
- Administrar contas e contratos;
- Impedir novas apostas;
- Representar o dependente legalmente.
4. Avaliação por perito ou equipe técnicaO juiz pode determinar avaliação psicológica ou psiquiátrica para confirmar:
- Dependência patológica por jogos;
- Risco financeiro;
- Falta de controle da própria vida civil.
Esses laudos reforçam a necessidade da interdição definitiva.
5. Decisão final
Com base nas provas, laudos e comportamento da pessoa, o juiz decide se:
- Concede a interdição total (quando o dependente não pode administrar nada);
- Ou uma interdição parcial (restrita a assuntos financeiros, por exemplo).
Após a interdição
O curador passa a responder pelas decisões importantes da vida do interditado. Ele controla:
- Gastos;
- Contas bancárias;
- Contratos;
- Compras online;
- Acesso a sites de apostas;
- Acompanhamento médico e psicológico.
É uma medida que salva famílias inteiras da ruína financeira.
É possível receber auxílio do INSS?Sim. Dependendo do quadro psicológico e dos laudos apresentados, o dependente pode ter direito a:
- Auxílio-doença, ou
- Aposentadoria por invalidez (nos casos mais graves).
Isso é comum em pessoas com vício compulsivo associado a transtornos como depressão, ansiedade, TDAH, autismo, bipolaridade, entre outros.
Conclusão
Entender como interditar uma pessoa viciada em jogo é essencial quando o vício se transforma em risco real à vida financeira e emocional da família. A interdição não é punição, é proteção.
Ela impede que o dependente continue sendo explorado por casas de apostas e garante que alguém de confiança assuma o controle até que a pessoa recupere estabilidade.
Se você está passando por isso, procure orientação jurídica especializada para agir rápido e de forma segura.
Sobre o autor
Marco Aurélio da Silva Leite – OAB/PI 17.443
Advogado especializado em Direito Digital, Apostas Esportivas e Proteção Jurídica de Pessoas com Vício em Jogos.
Atua nacionalmente em processos envolvendo interdição por dependência, responsabilização de casas de apostas, recuperação de valores e ações de proteção ao consumidor.
Reconhecido por sua atuação técnica, humanizada e estratégica, já auxiliou centenas de famílias a recuperar controle financeiro e proteger seus entes queridos.
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